Pe. JORGE POLMAN

Publicado pela primeira vez na Rede Mundial de Computadores (INTERNET), através da Revista Macrocosmo


Pe. Jorge Polman:
“Observar...Observar...Sempre Observar!!!”

Por Audemário Prazeres
Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R.

O lema acima, era o predileto do Pe. Jorge Polman, no qual foi publicado no boletim da LIADA número 23, Volume 7 em 1987, em uma Nota Editorial em homenagem ao grande mestre. Abaixo reproduzo a sua origem desse título acima, que era o IDEAL do Pe. Jorge Polman, ao qual dava as associações e aos astrônomos amadores. Este pensamento, foi publicado no boletim acima citado da LIADA, onde foi proferido pelo próprio Pe. Jorge Polman no II Congresso Mundial de Astronomia, realizado na cidade de Montevidéu no Uruguai em Dezembro de 1982.

“Que o esteio, a espinha dorsal de qualquer associação seja um programa rotineiro de observação, que seja observação de Variáveis; do Sol; Ocultações; Planetas; Lua; não importa o que. Mas que haja uma rotina, uma especialização que resulte em OBSERVAR, OBSERVAR, SEMPRE OBSERVAR” (Pe. Jorge Polman)

No dia 28 de Maio de 1974 foi formulado em Plenário na Assembléia Legislativa de Pernambuco, um requerimento de número 2972 de autoria do deputado Newton Carneiro, referente a um voto de aplausos ao Padre Jorge Polman, então Presidente da Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R., mediante a sua dedicação e pioneirismo, no qual, criado com seus esforços, um centro de estudos de Astronomia, que já tinha despertado o interesse de inúmeros pernambucanos por esta importante ciência, que é a Astronomia. Este requerimento foi aceito por unanimidade pelos membros daquela casa, e teve como justificativa o seguinte:

“Graças ao pioneirismo do Padre Jorge Polman do Colégio São João, na Várzea, o Recife possui um micr0-observatório embora carente de recursos, esse laboratório de Astronomia tem conseguido atrair interessados nas pesquisas do universo. É o primeiro que surge no Nordeste merecendo que as autoridades públicas aproveite esse exemplo e instale em nosso Estado, de preferência em Gravatá por estar sempre com céu limpo durante as 24 horas do dia e por ser esse o único município pernambucano que goza desse privilégio, um laboratório moderno capaz de se igualar com os melhores do mundo, pois o investimento feito seria recompensado com as pesquisas feitas”.

Não resta a menor dúvida que dentro da história da Astronomia em Pernambuco e até no Brasil, existem dois personagens holandeses extremamente importantes, sendo verdadeiros baluartes da ciência astronômica. Refiro-me ao astrônomo George Marcgrave, que no dia 01 de Janeiro de 1638 partiu da Holanda em uma viagem que durou cerca de dois meses, para chegar no Recife, em pleno período nassoviano em Pernambuco. E o também holandês Johannes Michael Antonius Polman nascido em 07 de Janeiro de 1927 na cidade de Amsterdan, chegando ao Brasil no ano de 1952. Até então, não era conhecido como Padre Jorge Polman, pois no momento da sua chegada ao Brasil ele não era um padre. Esse feito veio ocorrer no dia 01 de Novembro de 1957, quando no Seminário Menor da Várzea, que era pertencente a ordem do Sagrado Coração de Jesus, recebeu a ordenação de sacerdote, onde a partir desse momento ficou largamente conhecido como Padre Jorge Polman. Antes de chegar ao Brasil, Jorge Polman era militar holandês, que inclusive chegou a participar da guerra da Indonésia em 1949, onde manobrava tanque de guerra, inclusive em seu rosto na bochecha esquerda, vemos uma cicatriz proveniente em combate. É possível que o envolvimento com a guerra, alinhado ao ferimento em batalha, tenha motivado o mesmo a vir para o Brasil e constituir uma nova vida.


Padre Jorge Polman, era uma pessoa autodidata, extremamente disciplinado e bastante tenaz. Tinha uma personalidade forte, e não era nada receptivo as crenças, principalmente aquelas associadas com as pseudociências, como por exemplo a Astrologia e a Ufologia. O seu desenvolvimento com a Astronomia em Pernambuco se deu quando era professor de Ciências Físicas e Biológicas do antigo Colégio São João localizado no bairro da Várzea, quando de posse de um telescópio newtoniano de 4 “ (polegadas), no qual ele tinha trazido com ele da Holanda, iniciou em 1971 com seus alunos, determinadas práticas observacionais, que poderiam ser interpretadas de maneira bem complexas nos dias atuais, se aplicadas a estudantes iniciantes em Astronomia, como por exemplo: classificação e registro de Estrelas Variáveis, registro com contagem e classificação das Manchas Solares respeitando os verdadeiros pontos cardeais do disco solar projetado; contagem de meteoritos nos enxames e identificação de Radiantes e os “Fireballs”, e medições precisas em Eclipse Lunar tanto Parcial como Total.

Mas este interesse em desenvolver certas práticas observacionais com seus alunos, não foi unicamente uma iniciativa do Pe. Jorge Polman, na verdade, certa vez ele chegou a me dizer que quando os alunos do antigo Colégio São João, entre os anos de 1971 e 1972, souberam que ele entendia alguma coisa sobre Astronomia, e ainda por cima, possuía um telescópio astronômico, foram unânimes em lhe pedir que o ensinassem os fundamentos da Astronomia, principalmente no que se refere as suas práticas observacionais. Inclusive ele chegou a afirmar em uma reportagem publicada no Diário de Pernambuco no dia 30/06/1985 como se deu a formação do antigo C.E.A., ele proferiu as seguintes palavras:
“Numa certa aula de Ciências, dei noções de ótica e levei um telescópio para a classe. Quatro deles pediram para vir , numa Quarta-Feira à noite, observar o céu com telescópio. E ficaram muitos admirados, pedindo logo para vir novamente na outra semana. Ao invés de quatro, vieram oito, que foram se multiplicando e terminaram pedindo para que eu ministrasse um curso...”

Em 1972, foi fundado o CEA ( ver ao lado ). No ano seguinte, em 1973, foi também criado pelo Pe. Jorge Polman a Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R, primeira entidade de Astronomia em Pernambuco, registrada oficialmente em cartório, com Estatuto próprio, além de possuir o seu cadastro de CGC como uma instituição legal frente a Receita Federal. Apesar do Clube Estudantil de Astronomia – C.E.A., ter sido criado pouco tempo antes da S.A.R., o seu registro juridicamente legal frente a Cartório e por conseguinte, o seu registro na Receita Federal com o CGC, só ocorreu na diretoria ao qual fui Vice-Presidente, onde tendo em mãos os estatutos da S.A.R., foram feitos algumas pequenas modificações, no qual adequamos como o Estatuto do C.E.A., desse modo, o registro oficial na sua forma legal, surgiu no Diário Oficial publicado em uma Terça-Feira do dia 30 de Julho de 1985. Desde então, o antigo C.E.A., não mais fazia uso da razão social da S.A.R., para assuntos do seu interesse.

Naquela época, o interesse e curiosidade dos alunos pela Astronomia, fez com que Pe. Jorge Polman, iniciasse uma série de cursos de Iniciação em Astronomia. O primeiro desses cursos foi no ano de 1972, quando apenas 12 alunos receberam o seu diploma de conclusão, Já no ano de 1975, já havia mais de 100 alunos formados, onde em 1976, havia no antigo C.E.A., 45 sócios efetivos e 70 alunos, pertencentes a cerca de 26 colégios pernambucanos cursando o 2° ano do Curso, onde em moeda corrente de época, a matrícula tinha o valor de Cr$ 20,00 e a mensalidade de Cr$ 10,00 – O último desses brilhantes cursos ministrados diretamente pelo grande mestre Pe. Jorge Polman, na condição de INSTRUTOR, foram os realizados nos anos de 1983 à 1985, período esse na qual tive a grande oportunidade e satisfação, em ter sido seu aluno. Vale lembrar, que o número de freqüência (aquele de chamada de presença em sala de aula), era originário para cada aluno, mediante a ordem de matricula daqueles interessados no curso, e o meu número, que também estava contido na carteirinha de membro do C.E.A., era o 01 (um).


Esses cursos de Iniciação em Astronomia, compreendiam 02 anos de duração, sendo o primeiro ano fundamentos da Astronomia, e o segundo ano Práticas Observacionais. Logo depois em 1979, existia um curso de extensão, que era uma especialização voltado para técnicas observacionais, que tinha também mais um ano de aulas ministradas. Todos os cursos tinham aulas semanais, onde geralmente nas Quartas-Feiras eram os cursos de Iniciação, nas Segundas-Feiras eram outra turma mais avançada em Práticas Observacionais e por último, tinham nas Sextas-Feiras o curso de Extensão. Já os Sábados, as instituições S.A.R., e C.E.A., eram abertas para o grande público poderem conhecer o seu valioso acervo, tanto bibliográfico como instrumental, e realizarem observações dos astros e fenômenos em vigor.


Um fato relevante que merece ser aqui destacado, é que observamos nos vários registros, sejam eles de correspondências antigas ou de boletins astronômicos publicados pelo Pe. Jorge, além é claro, de registros presentes nos periódicos das demais instituições congêneres, que houve naquele período décadas bem distintas em ambas instituições. Ou seja; na década de 70, vemos uma mobilização maior em termos de divulgação, da Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R., onde vemos o Pe. Jorge exercer durante mais tempo o cargo de Presidente da S.A.R., é bem possível que este fato, tenha sido motivado por conta da idéia da cidade do Recife possuir o seu Planetário. Já na década de 80, possivelmente por não existir aquele ímpeto de construção do Planetário no Recife, a Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R., ficou confinada a um simples armário existente no auditório, e observamos uma maior ênfase na divulgação do Clube Estudantil de Astronomia – C.E.A., com os seus cursos e observações astronômicas, tendo o Pe. Jorge Polman, ocupando em sua maioria o cargo de Conselheiro.


Esse fato fica melhor ilustrado, quando observarmos cartas e ofícios enviadas por ilustres autoridades da época, congratulando as nomeações de diretoria da Sociedade Astronômica do Recife – S.A.R., onde em sua maioria era no período em que Pe. Jorge Polman exercia o cargo de Presidente da S.A.R., e não do Clube Estudantil de Astronomia – C.E.A., que provavelmente devido a possuir suas origens no Colégio São João, quando Pe. Jorge era professor, possivelmente deveria haver algumas limitações impostas talvez pela diretoria do Colégio, ou pela ordem do Sagrado Coração, quanto ao envolvimento direto daquele Colégio junto a sociedade pernambucana, sendo atrelado a atividades em Astronomia. Afinal, esse feito era desenvolvido unicamente pelo Pe. Jorge, e não pelo Colégio propriamente dito.

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No mês de Maio de 1972, foi criado o Clube Estudantil de Astronomia – C.E.A., que funcionava em um prédio cedido pelos Padres do Sagrado Coração de Jesus que tinha como diretor o Padre Abelardo B. Moura, que apesar de não explicitar publicamente seus interesses com a Astronomia, não media esforços para inibir os projetos astronômicos então elaborados pelo Pe. Jorge Polman.

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Página criada por Thiago Cavalcanti