SAR - SOCIEDADE ASTRONÔMICA DO RECIFE

32 ANOS DA SOCIEDADE ASTRONÔMICA DO RECIFE, COMEMORAÇÃO OU REFLEXÃO ?

Por Audemário Prazeres


A Sociedade Astronômica do Recife - S.A.R., foi fundada em 1973, e em 21 de Junho de 1974 foi registrada em cartório para usufruir dos efeitos legais na condição de pessoa jurídica. Sua criação partiu de um projeto que visava a implantação de um planetário na cidade do Recife.
Seu fundador foi o Pe. Johannes Michael Antonius Polman, mais conhecido como Pe. Jorge Polman, nascido na Holanda e chegado ao Brasil em 1952, sendo que, em 1972 veio morar no Recife, onde exerceu o cargo de professor de Ciências do antigo Colégio São João situado no bairro da Várzea. Nesta sua vinda, trouxe um telescópio newtoniano de 4” (polegadas), que foi a pedra fundamental na divulgação da Astronomia em Pernambuco.

O projeto intitulado “UM PLANETÁRIO PARA O RECIFE!”, acabou virando uma frase bastante alardeada na década de 70 entre a mídia e a comunidade astronômica do Brasil.

Em 07 de Maio de 1975, o diário Oficial do Estado publicou: “PROJETO PLANETÁRIO DO RECIFE ENTREGUE ONTEM AO GOVERNADOR”, e uma comissão esteve presente com o Governador Moura Cavalcanti, e era presidida pelo Padre Jorge Polman, e composta por professores, economistas e vários estudantes.

A diretoria fundadora da S.A.R., foi eleita em uma Assembléia no 24 de Agosto de 1974, sendo composta: Pe. Jorge Polman Presidente; Manoel Claudino de Pontes Vice-Presidente; José Jorge Correia Secretário e José Vianney Mendonça com o cargo de Tesoureiro, além de outros colaboradores como os colegas do Observatório Galileu Galilei de Juiz de Fora (MG) que criou o símbolo e o slogan da campanha.

Lamentavelmente o Governo de Moura Cavalcanti não transformou a brilhante idéia em uma realidade. É bem provável, que a grande enchente ocorrida no Recife em 1975, tenha vetado o desenvolvimento desse projeto.

Chegamos aos 32 anos de existência. Não foram poucos os obstáculos que suplantamos ao longo desse tempo. Afinal, desenvolver educação e cultura neste país não é uma tarefa fácil, e se tratando de uma ciência pura e cara como é a Astronomia, inserida em uma região carente como é o nosso Nordeste, acreditem: As dificuldades são bem maiores.
Certa feita, o Prof. Luiz Eduardo da Silva Machado, então diretor do Observatório do Valongo no Rio de Janeiro comentou: “Aprendi que amar os céus é dever do profissional, como ao inverso, profissionalizar a contemplação estética é obrigação dos aficionados da Astronomia”. Não resta a menor dúvida, que a obstinação e dedicação, são expressões bastante peculiares entre os amadores que desenvolvem esta ciência no Brasil e no mundo, forjando elementos fundamentais para melhor prosseguirmos com uma Astronomia, não em níveis acadêmicos, e sim, buscando cada vez mais a popularização de um conhecimento, que ao meu ver, melhor expressa o contexto universal em que estamos inseridos.

Mas para o exercício de qualquer atividade humana, dependem recursos MATERIAIS , HUMANOS e FINANCEIROS. E nas entidades astronômicas brasileiras, ou de outras áreas de interesse, há carência nos três tipos de recursos.

Nas divulgações, sempre se tentou conseguir um maior número de associados, e com isto, as mensalidades pudessem gerenciar um bom programa administrativo e melhores condições das atividades astronômicas. Porém, atingir este objetivo é extremamente difícil quando não temos uma SEDE PRÓPRIA, e sim, provisória que é na escola Ana Rosa Falcão de Carvalho, pertencente ao Governo do Estado no centro do Recife na Praça 13 de Maio. Dessa forma, o número de membros da Sociedade é extremamente pequeno. Mas são esses que por terem a obstinação e dedicação que lhe são peculiar, mantém viva uma das poucas (se não a única) entidade amadora atuante na Astronomia em Pernambuco. Apesar da previsão orçamentária ser bastante modesta, (as vezes bancadas do próprio bolso), não inibe o sentimento que temos de manter viva uma importante entidade nascida do pioneirismo do Pe. Jorge Polman, ao qual tive a grande satisfação de tê-lo como mestre e amigo.

 


  

  Pe. Jorge Polman

 

 

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