ASTRONOMIA DA CIÊNCIA OU DÁ CIÊNCIA?

 

Certo dia disseram que a ASTRONOMIA era filha de uma mãe muito louca, que é a Astrologia. De fato esta última precedeu a primeira e surgiu diante do temor e falta de conhecimento em explicar os fenômenos celestes mais marcantes. A Astrologia preconiza a influência dos corpos celestes na personalidade e nos destinos do homem (afirmam os praticantes). E a Astronomia é uma verdadeira ciência pura, que estuda os astros em sua constituição e movimento.


O fascínio que o céu sempre exerceu sobre o homem está registrado no legado de todas as civilizações. O interesse pelo céu independe de idade, velhos e crianças, todos se deixam cativar por sua beleza e pelos enigmas que ele esconde. A curiosidade das crianças pela Astronomia tem sido reconhecida e explorada até abusivamente pelos meios de comunicação: multiplicam-se as histórias fantásticas com naves espaciais, entes extraterrestres, cientistas estereotipados em astros desconhecidos. A pseudociência apresentada é incorreta e ilógica, criando uma alta expectativa em relação a eventos que nada têm a ver com os fatos astronômicos reais. Mesmo os que pretendem tratar seriamente a Astronomia costumam seguir essa tendência: os astrônomos são vistos usando instrumentos extremamente sofisticados e criando teorias complicadíssimas.
Não é de se estranhar, portanto, que os professores das escolas tenham um certo receio de levar Astronomia para a sala de aula ou que, quando o fazem, se apeguem aos livros de texto. Os autores desses livros, por sua vez, pouco se afastam da reprodução do que encontraram em outros textos. À medida que as cópias se sucedem, as incorreções se multiplicam e as definições ficam cada vez mais dúbias. Exemplo disso é que tanto GALÁXIAS como CONSTELAÇÕES são definidas como “conjunto de estrelas”.


A Astronomia é, hoje em dia, uma das poucas Ciências (SE NÃO FOR A ÚNICA), em que o amador tem vez. Bem diferente das demais Ciências, a Astronomia tem sido capaz de congregar e unir pessoas em todo o lugar, surgindo inúmeras instituições amadoras ou não, pelo o mundo, onde prevalece a meta: “TER UMA MELHOR COMPREENSÃO SOBRE O CONTEXTO EM QUE ESTAMOS INSERIDOS”. Nesse aspecto, a figura do astrônomo vem se mostrando ao longo dos anos, de uma importância fundamental. E mesmo não tendo uma qualificação profissional em Astronomia, realizam os amadores um trabalho observacional com princípios e dedicação com valor cientifico, ocasionando muitas vezes parcerias com vários profissionais espalhados pelo mundo.


Nas áreas de atuação dentro da Astronomia onde o amador tem vez, é imprescindível possuir um instrumento de observação?


Respondendo esta pergunta, esclareço o seguinte: É desejável claro, mas não imprescindível. A olho nu vemos cerca de 6000 estrelas até a Sexta magnitude (antigamente falava-se grandeza). O simples uso de um binóculo de médio alcance eleva essa quantidade para cerca de 500.000 estrelas. Com o auxílio de um telescópio (espelho) ou luneta (lente) esse número fica muito mais ampliado. Nesse caso a observação do céu torna-se ainda mais interessante. É bom frisar que um dos objetivos mais fascinantes dessa ciência é , justamente, a parte observacional. Mas também devemos ter em mente que é preciso saber o que observar, neste caso, faz-se necessário algum conhecimento teórico da Astronomia. Neste contexto, os astrônomos amadores pertencem a dois grupos distintos:

1. Os que aprendem os conhecimentos básicos e se dedicam apenas à tarefa de observar, fazendo da Astronomia um “hobby” e apreciando os fenômenos celestes e as belas imagens que os astros oferecem.


2. No segundo grupo, temos os amadores que praticam uma Astronomia mais “seria”, ou seja, tendo ultrapassado o estágio inicial da simples observação, se dedicam depois a coletar dados do que observam para repassá-los às entidades astronômicas nacionais e até internacionais.

 

Para os aficionados inseridos nesses grupos, é de fundamental importância o intercâmbio de idéias com entidades e pessoas envolvidas com a Astronomia amadora, tanto na sua forma teórica como pratica. E neste aspecto, Pernambuco não fica por menos em relação a outros estados do nosso país.

 

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